Funiculares em Portugal: mobilidade, património e arquitetura
O Funicular da Graça, em Lisboa, desenhado pelo Atelier Bugio, é um dos 40 finalistas ao prémio de arquitetura Mies van der Rohe 2026.

O que isso significa
O Prémio Mies van der Rohe é uma das distinções mais prestigiadas da arquitetura europeia contemporânea, organizada pela Comissão Europeia e pela Fundació Mies van der Rohe em Barcelona. O galardão reconhece a excelência e a inovação em obras construídas nos últimos dois anos, destacando projetos que respondem a desafios sociais, culturais e ambientais na Europa
Funicular da Graça como finalista
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O Funicular da Graça, projeto do Atelier Bugio, foi selecionado como finalista entre cerca de 410 candidaturas de toda a Europa, sendo um dos 40 projetos escolhidos por um júri internacional.
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Esta distinção coloca a intervenção lisboeta lado a lado com obras de vários países europeus, incluindo Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Itália e outros.
Próximos passos no prémio
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A lista de 40 finalistas será ainda reduzida a cerca de sete projetos em fevereiro, que serão visitados por jurados na primavera de 2026.
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A visita e avaliação direta das obras fazem parte do processo de seleção do vencedor final do prémio.
Sobre o Funicular da Graça
O Funicular da Graça é uma infraestrutura moderna que liga a Rua dos Lagares (zona da Mouraria) ao Miradouro Sophia de Mello Breyner Andresen, facilitando a mobilidade na colina da Graça. Inaugurado em 2024, o projeto tem sido também reconhecido em Portugal com prémios como o Valmor e o Prémio Nacional de Reabilitação Urbana.
Outros funiculares em Portugal
Portugal tem uma longa tradição de transportes por cabo, especialmente em cidades com topografias acentuadas. Para além do Funicular da Graça, existem vários funiculares históricos e contemporâneos que desempenham um papel fundamental na mobilidade urbana, ao mesmo tempo que se tornaram ícones patrimoniais e turísticos.

Em Lisboa, destacam-se os clássicos Elevadores da Glória, da Bica e do Lavra, em funcionamento desde o final do século XIX e início do século XX. Integrados na rede da Carris, estes funiculares continuam a ser utilizados diariamente por residentes e visitantes, ligando zonas baixas da cidade a bairros situados em colinas íngremes. Para além da sua função prática, são hoje símbolos da identidade lisboeta e exemplos notáveis de engenharia e património urbano.

No Porto, o Funicular dos Guindais assegura a ligação entre a zona ribeirinha e o tabuleiro superior da Ponte D. Luís I. Inaugurado na sua versão atual em 2004, este equipamento veio reforçar a acessibilidade numa área de grande afluência turística, articulando transporte público, património histórico e paisagem urbana.
Fora dos grandes centros urbanos, existem também soluções semelhantes adaptadas a contextos específicos, como o Funicular do Bom Jesus do Monte, em Braga. Este é um caso singular a nível internacional: trata-se do funicular mais antigo do mundo ainda em funcionamento com sistema de contrapeso de água, inaugurado em 1882. Classificado como património cultural, continua a ligar a cidade ao santuário do Bom Jesus, hoje Património Mundial da UNESCO.

Estes exemplos demonstram como os funiculares em Portugal combinam engenharia, arquitetura e história, respondendo a desafios de mobilidade em territórios complexos e contribuindo para cidades mais acessíveis, sustentáveis e inclusivas.
