Levantar-se assim que o avião pousa. Necessidade ou falta de educação?

Mal o avião toca na pista, ouve-se o sinal do cinto de segurança — e, quase em simultâneo, vêem-se pessoas a levantar-se, a abrir os compartimentos superiores e a ocupar o corredor, mesmo sabendo que a porta ainda vai demorar a abrir. A cena repete-se em voos por todo o mundo e levanta uma questão simples: é mesmo necessário ou é apenas falta de educação?
Uma necessidade real… em poucos casos
É justo reconhecer que nem todos os passageiros se levantam por impaciência. Há situações legítimas:
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escalas muito curtas, em que perder minutos pode significar perder um voo;
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pessoas com ansiedade, desconforto físico ou necessidades médicas;
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famílias com crianças pequenas ou passageiros com mobilidade reduzida;
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bagagem de mão colocada longe do lugar.
Nestes casos, a diferença costuma estar na forma: quem precisa, normalmente explica, pede licença e conta, muitas vezes, com a ajuda da tripulação.
Quando a pressa não leva a lado nenhum
Fora destas exceções, levantar-se assim que o avião pousa não traz qualquer vantagem prática. O avião ainda está a deslocar-se, os cintos continuam obrigatórios e a saída vai acontecer — inevitavelmente — fila a fila.
Na prática, esta atitude:
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não acelera o desembarque;
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bloqueia corredores;
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cria desconforto e pressão sobre quem continua sentado;
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quebra uma regra básica de convivência em espaços partilhados.
Por isso, para muitos passageiros, este comportamento é visto como impaciência disfarçada de eficiência.
O acordo silencioso a bordo
Viajar de avião implica aceitar pequenas normas não escritas. Uma delas é simples: quem está à frente sai primeiro, os restantes aguardam a sua vez. É um acordo silencioso que funciona precisamente porque a maioria o respeita.
Quando alguém o quebra sem motivo aparente, surge a irritação — ainda que raramente verbalizada. Não é apenas uma questão de regras, mas de respeito pelo ritmo coletivo.
Mais do que uma questão de educação
Esperar sentado até ser realmente possível sair do avião é um gesto pequeno, mas revelador. Mostra consciência do outro, paciência e capacidade de partilhar um espaço limitado com dezenas de desconhecidos.
No fim de contas, levantar-se assim que o avião pousa é, na maioria das vezes, desnecessário. E, dependendo da atitude, pode facilmente ser interpretado como falta de civismo.
Talvez não cheguemos todos ao destino mais depressa, mas chegamos, certamente, de forma mais tranquila.
